Afroperspectividade, educação e cultura
A proposta é usar este espaço para a difusão dos valores da cultura afro e da cultura afro-brasileira, refletir sobre os problemas sociais brasileiros de forma crítica mas sem apegos acadêmicos ou partidários, a ideia é provocar, problematizar e propor um debate afirmativo e plural pautado por vários temas dialogando com as mais variadas visões de mundo usando a imagem e a mídia como catalizadores de um processo reflexivo sem grandes pretensões
"A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une" Milton Santos
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Lowsumerism e a busca do verdadeiro eu - Ponto Eletrônico • BOX1824
Lowsumerism e a busca do verdadeiro eu - Ponto Eletrônico • BOX1824: O consumismo e a propaganda aumentaram nossas expectativas a ponto de inviabilizar a felicidade e a satisfação. Felizmente, está em atividade um movimento que nos afasta da ilusão e nos aproxima da plenitude.
quinta-feira, 28 de junho de 2018
Silenciamentos e reconhecimento
Silenciamentos e reconhecimento
A inquietude reflexiva provocada por leituras sempre
desafiadores nos levam a madrugadas de reflexões que me perturbam e
desacomodam... Penso sobre silenciamentos e reconhecimento.
Um breve trânsito entre a Escola Crítica de Frankfurt, a psicanálise
e as provocações do jovem Hegel podem me ajudar a entender a luta, ainda hoje,
dos movimentos sociais, e entre eles, destaco o movimento negro. A luta do
movimento negro, em uma visão muito intersubjetiva, é uma luta interna por
reconhecimento e contra as invisibilidades impostas por anos de silenciamentos
de nossas narrativas históricas, mas penso que é muito mais do que isso. A
inquietação de negros e negras por reconhecimento começa na simples relação com
o outro, na necessidade de narrar-se e ser narrado em uma dinâmica de
autoconhecimento que projeta para a sociedade a sua necessidade de vir-a-ser.
O processo é delicado e caminha em uma linha tênue entre
sentimentos de confiança, expectativas, necessidades e o rompimento de amarras
sociais que nos impõe limites, desertos de imobilidade dentro de uma
configuração social quase teatral e que não nos possibilita sermos verdadeiramente
livres.
Para o reconhecimento temos que caminhar juntos, de mãos
dadas, em uma via de mão dupla e perder os medos internos que paradoxalmente
nos impõe abismos e desertos.
Por isso continuo intensamente revoltado e em constante me
ressignificação, mas preciso dialogar com minha específica, autonarradora... e
construir novos paradigmas epistêmicos que em formas de pontes atravessem abismos
e oceanos de silêncios desertificados.
sexta-feira, 1 de junho de 2018
Dica de filme
Filme traz uma reflexão contemporânea sobre autoconhecimento e busca da felicidade, por meio de entrevistas com expoentes de diferentes áreas, incluindo líderes espirituais, intelectuais, artistas e esportistas.
https://www.mochileiros.com/blog/eu-maior-autoconhecimento-e-busca-da-felicidade/
https://www.mochileiros.com/blog/eu-maior-autoconhecimento-e-busca-da-felicidade/
domingo, 13 de maio de 2018
130 anos de lembranças, memórias e ressignificações. E o que mudou?
130 anos de lembranças, memórias e ressignificações.
E o que mudou?
Lembro ainda de forma
muito presente em minha memória dos 100 anos da abolição da escravatura em
1988. Eu era criança, uma criança negra de periferia estudante de uma escola
pública, não por acaso o único nego de minha sala de aula. Justamente por isso
meus colegas resolveram fazer uma festa para comemorar a data, como se a mesma
apagasse os 100 anos de preconceitos e racismos que eu ainda sofria. Mas enfim,
eu fiquei feliz! Naquele momento eu não entendia muito o que acontecia ao meu
redor, mas parecia legal.
Já se vão 30 anos
daquele 13 de maio de 1988, e hoje são 130 anos de quando a princesa Isabel do
alto de sua nobreza dava um passo importante para seu reconhecimento na
história. Ao assinar a Lei áurea a princesa passa a ser reconhecida como uma
heroína nacional que libertou os escravos. Mas libertou de que?
Minha narrativa inicial
e a redundância de meu questionamento fazem parte de um quadro pessoal que é
recorrente nos espaços de luta e militância do movimento negro desde sempre,
pois a liberdade assinada no papel nunca veio associada a uma igualdade efetiva
entre negros e brancos. Ainda hoje em pleno século XXI nós negros e negras
carregamos em nossa pele o estigma de um processo de exploração humana que foi
imputado aos nossos ancestrais sequestrados da África.
O silenciamento imposto
a história oficial que invisibilizou a presença de negros e negras na
construção da republica do Brasil também se manifestou em uma política de
Estado, que por de trás de um “Mito da Democracia Racial”, silenciou e assumiu
uma posição de neutralidade ou ainda pior de negação do racismo. O efeito desta
postura de Estado sentimos hoje de forma latente, pois se anos atrás se falava
em um racismo velado, hoje este é explícito, principalmente nas redes sociais.
Negros e negras ainda
hoje são preteridos nos espaços de trabalho, não se veem representados nos
espaços de poder, sou poucos, quase raros aqueles que ocupam um espaço de
destaque na sociedade. Ainda hoje somos vistos de maneira discriminatória pela
sociedade tradicional que impões um padrão estético que não é o nosso. Nossos
corpos negros ofendem, são exotizados e vulgarizados. A nós foi imposta um configuração
social que nos limita e nos oprimi diariamente por um padrão europeu
hegemônico.
Mesmo assim somos
otimistas. Há sim uma mudança em curso. As políticas de ações afirmativas no
campo educacional desencadeadas com a Lei 10.639/03 e a política de cotas nas
universidades provocaram o debate e trouxeram a tona as pautas do movimento
negro para o cenário público, o que possibilitou, ainda que de forma limitada,
a visibilidade de uma História da África e da cultua afro-brasileira nas
escolas e nas universidades. Ao mesmo tempo essa mudança de postura do estado
incentivou o surgimento de novos coletivos do movimento negro em vários espaços,
reivindicando o debate e manifestando seu protagonismo.
Esse cenário demostra
que o Brasil de 2018 não e o mesmo de 1888. Mudou sim! Mas ainda é muito pouco
para uma parcela significativa da população que ainda hoje se vê silenciada em
suas reivindicações, que vê suas pautas negligenciadas pelos gestores públicos e
seus espaços de resistência relegados ao esquecimento institucional. Queremos
mais, muito mais, pois para que possamos nos orgulhar de um país que se
reconhece como uma diversidade, devemos dar espaço para que todas as culturas
que formaram este país tenham seu devido reconhecimento e assim possamos ser
sim um país democrático, justo e igualitário.
130 anos e continuamos
lutanto!!!
terça-feira, 1 de maio de 2018
Palestras
Uma educação anti racista se faz com um debate de fundo de ordem epistemológica oferecendo uma alternativa a racionalidade eurocêntrica e colonial que impera ainda hoje em nosso sistema educacional.
Pluralismo Cultural: desafios dos profissionais em saúde e educação frente a diversidade
Itaimbé Palace Hotel - Santa Maria
Semana Acadêmica do Curso de História da UCS - 2018
Kizomba 2015 - Praça Saldanha Marinho - Santa Maria
Palestra na URI - São Luiz Gonzaga 2015
Curso de Turismo da UFSM
Escola Estadual Maria Rocha - Santa Maria 2017
Escola Municipal em Santa Maria
UFN 2017
Escola Municipal em Restinga Seca
Thetro Treze de Maio no Treze de Maio de 2015
Ulbra Santa Maria 2016
Abertura da Semana Acadêmica da Filosofia UFSM
sábado, 13 de maio de 2017
CONTINUAMOS LUTANDO!!!!
Após intensos debates no
Congresso, no dia 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel assinava a Lei Aurea, e
colocava em liberdade milhares de homens e mulheres negras que a partir de
então poderiam gozar de uma liberdade jamais vista. No entanto, a liberdade, ainda
que tardia, não foi completa, a luta de negros e negras é uma constante até
hoje, pois o ato da Princesa Isabel, foi um ato isolado que não veio
acompanhado de nenhuma política pública de inclusão da população negra a
sociedade, e os efeitos disso foram nefastos sobre toda essa população, que
ainda hoje luta por espaço e reconhecimento. Mas continuamos lutando!
O 14 de maio apresentava a
população negra uma realidade não muito festiva. A comemoração do dia anterior
dava lugar à preocupação. O que comer? Onde dormir? Onde trabalhar? Sim, os
negros estavam livres, mais isto não significava uma mudança social imediata. Mais
de 300 anos de história de escravidão e exclusão social não se apagariam assim,
de um dia para o outro, com uma simples assinatura. Um novo capítulo da
história de negros e negras no Brasil estava para ser escrita e não com menos
dificuldades e sim com muita luta.
O silenciamento do estado em
relação à condição da população negra após a abolição fazia parte de um projeto
de estado. O “Mito de uma democracia
racial” e o branqueamento da raça faziam parte de um projeto ambicioso que
almeja a criação de uma República aos moldes das grandes nações europeias
capitalistas. Ou seja, para que o Brasil chegasse ao patamar das grandes nações
era necessário apagar o estigma de um passado escravocrata e inserir de vez o
Brasil na “Bélle Époque”, modelo europeu de desenvolvimento almejado por todos.
Os efeitos deste processo
são sentidos até hoje. O profundo abismo social provocado pela negligencia do
estado, desde a abolição, que
estigmatizou a população negra e os afrodescendentes as condições subalternas
da sociedade devido a falta de politicas públicas e a negação do problema do
racismo. Tal negligencia fez com que ainda hoje essa desigualdade se reflita em
profundos problemas sociais, que vão desde o campo educacional até a violência
institucionalizada do estado ao penalizar a juventude negra nas periferias.
Mas há uma mudança em curso.
Desde adoção das políticas de ações afirmativas no Brasil, vemos uma
movimentação que emerge das ruas, das vilas, das rodas de capoeira, das rodas
de samba, das batalhas de hip hop, dos coletivos jovens e chegam às
universidades. É uma juventude negra misturada com a força da ancestralidade
negra que faz surgir em meio a turbulência e a luta diária contra o racismo um
orgulho da origem africana. É um colorido aqui, uma trança nagô ali, um “black
power” acolá, e por onde se ande nesta cidade o empoderamento negro vem abrindo
espaço para um novo momento do movimento social negro que protagoniza a mudança
e traz para o presente, um olhar para o passado e a projeção de um futuro
melhor e mais justo a toda a população negra e afrodescendente. Continuamos
lutando!
(Texto original publicado no jornal A Cidade)
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
O cenário atual nos apresenta uma realidade social que opõe princípios de liberdade e uma suposta democracia contra um crescente fascismo social imposto de maneira parlamentar e que se reflete nas ações de controle social do estado.
Para tornar mais transparente o cenário, a votação no senado de um processo de impeachment forjado nos bancos parlamentares, a sombra nefasta de um projeto "Escola sem Partido" e a criminalização dos movimentos sociais são apenas uma fração do imenso retrocesso em curso no Brasil. Tal retrocesso é apenas um dos ataques diretos a educação pública brasileira que por de traz do manto de uma suposta liberdade democrática e em nome da ordem nacional criam-se mecanismos de controle e coerção dentro da escola.
O caminho trilhado é de uma escola sem opinião, sem humanidade e condenada a reproduzir os mesmos mecanismos seculares de opressão contra todas as minorias dentro das escolas. Em síntese, a a manutenção do paternalismo, do machismo, do racismo e todas as formas de preconceito encontraram eco ainda nas escolas.
Penso que o debate não pode retroceder, a sociedade civil organizada e os movimentos sociais devem continuar reivindicando a escola com seu espaço de formação e de empoderamento para que esta reflita as demandas, os anseios e as realidades dos verdadeiros protagonistas no processo educacional, os jovens.
Para tornar mais transparente o cenário, a votação no senado de um processo de impeachment forjado nos bancos parlamentares, a sombra nefasta de um projeto "Escola sem Partido" e a criminalização dos movimentos sociais são apenas uma fração do imenso retrocesso em curso no Brasil. Tal retrocesso é apenas um dos ataques diretos a educação pública brasileira que por de traz do manto de uma suposta liberdade democrática e em nome da ordem nacional criam-se mecanismos de controle e coerção dentro da escola.
O caminho trilhado é de uma escola sem opinião, sem humanidade e condenada a reproduzir os mesmos mecanismos seculares de opressão contra todas as minorias dentro das escolas. Em síntese, a a manutenção do paternalismo, do machismo, do racismo e todas as formas de preconceito encontraram eco ainda nas escolas.
Penso que o debate não pode retroceder, a sociedade civil organizada e os movimentos sociais devem continuar reivindicando a escola com seu espaço de formação e de empoderamento para que esta reflita as demandas, os anseios e as realidades dos verdadeiros protagonistas no processo educacional, os jovens.
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