Uma breve leitura do início da campanha eleitoral na TV solicitada pelo jornal "Diário de Santa Maria"
Não há como começar a falar
de eleições 2014 sem mencionar a tragédia que levou o candidato Eduardo Campos.
O fato pegou todos de surpresa, gerou uma comoção nacional e mais do que tudo
impactou a campanha eleitoral desde o seu início.
Acredito que a morte de
Eduardo Campos virou um fato político, vários candidatos capitalizaram em cima
da morte de Eduardo Campos, mais do que isso, nasceu desta tragédia um slogan
eleitoral natural: “Não vamos desistir do Brasil” adotado por todos .
Desrespeitoso, frio,
maquiavélico, não sei qual o termo exato para descrever a situação criada, mas
o que aconteceu é que todos os partidos independente de suas bandeiras
ideológicas montaram no trem da história que passava e rechearam suas campanhas
de mensagens em homenagem a Eduardo Campos tentando seduzir seus eleitores.
Engraçado mas o inimigo de antes virou o político saudoso, o mártir.
Mas olhando com mais frieza
inicialmente a campanha eleitoral para presidente há um antagonismo claro entre
o PT de Dilma e o PSDB de Aécio. De um
lado uma Dilma tentando passar um discurso mais humano sensível, mas pautado
por suas realizações nos últimos quatro anos com ênfase é claro no campo
social: combate a miséria, obras do PAC,
etc. Mas sobretudo justificando os problemas visíveis com as crises
internacionais. Nítido também fi o apelo a força das mulheres como lideres e o
apoio manifestado desde a eleição passada.
De outro lado Aécio Neves,
vem com um discurso conciliador, usando de uma oratória invejável que é de sua
característica, reconhece as realizações do governo atual, mas destaca os
pontos negativos do governo atual e apela para a mudança como forma de corrigir
os erros e fazer diferente.
Os dois partidos apresentam
plataformas viáveis o que difere é a forma de apresentá-las.
A morte de Eduardo Campos
também traz uma nova situação, a candidatura de Marina Silva. Uma sucessão
natural, questionável, mas uma nova situação que pode fazer pender a balança
eleitoral.
Quanto aos partidos menores
estes centram seu ataque ao partidos majoritários e da base governista, e nas
criticas as formas de agir do governo em relação a vários temas, entre eles,
inflação, segurança, educação. Fazem campanhas quase caricatas, para não dizer
cômicas.
Para o Governo Estadual
acredito que teremos um pleito mais concorrido acredito que temos quatro
grandes forças no estado: Ana Amélia Lemos, Tarso Genro, José Ivo Sartori e
Vieira da Cunha. Todos apoiados pela
força de suas siglas e coligações muito bem articuladas, um tanto
contraditórias, mas articuladas.
Como no cenário nacional,
todos os candidatos fizeram uma homenagem a Eduardo Campos, com um destaque
especial a figura de Beto Albuquerque
que em decorrência do fato assume a vaga na chapa como candidato a vice-presidente.
Outra característica marcante nas campanhas para governador foi um forte apelo
as histórias dos candidatos, uns com mais destaque a história política, outros
com mais destaque a história pessoal, mas todos procuraram se apresentar como
candidatos que tem uma história no Rio Grande do Sul, apelando claro para o
nosso peculiar regionalismo.
Tarso Genro como não poderia
deixar de ser apelou para o continuísmo, para o diálogo, característica
marcante de seu governo. Ao mesmo tempo destacou o alinhamento político como o
Governo Federal e destacando também as realizações no campo social. Viável, mas
pouco empolgante.
Ana Amélia Lemos, conclama
todos a uma campanha limpa, ética e sensivelmente usa de recursos da mídia para
chamar a atenção. Seu discurso no início tem pouco conteúdo, pois apela só para
a mudança com criticas ao governo atual. No entanto, seu partido tem uma base
de oposição relevante o que faz a diferença.
José Ivo Sartori traz para o
cenário estadual o que foi marca em sua gestão em Caxias do Sul. Com o slogan:
“Meu partido é o Rio Grande”, faz um discurso pautado pela conciliação e pela
simplicidade no trato das questões, sem grandes antagonismos ideológicos e com
muita vontade de trabalhar. Mesmo começando sua apresentação na TV em plena
Praça Saldanha Marinho, percebo que sua campanha tenha como ponto fraco a
questão de Sartori ser muito pouco conhecido fora da serra gaúcha.
Vieira da Cunha chama
atenção pela consulta popular, seja pela internet ou através de plenárias
Vieira da Cunha apela para um certo populismo e para a herança ideológica de
Leonel Brizolla.
Independente das
particularidades de cada campanha o que foi recorrente em todos os candidatos
foi a homenagem a Eduardo Campos, fugindo do clamor emocional de toda a nação,
outras questões foram recorrentes. Temas como Educação, Saúde e Segurança, foram presentes em quase todas as
falas de presidenciáveis a deputados estaduais.
No entanto, é recorrente
também o descaso quanto a questões como Cultura, Direitos Humanos.
No meu ponto de vista
ainda é muito cedo para definir melhor ou pior, mas já podemos ver o caminho
que será traçado por vários candidatos, seja pelo continuísmo, ou seja, pelo
discurso de mudança. O que gera na
população e principalmente em mim certo repúdio, pois apelam para a ignorância
do povo: “Votem em mim por que eu fiz!” ou “Votem em mim por que eu vou
fazer!”. Não preciso de programa eleitoral para saber quais são os verdadeiros
problemas do meu estado ou do país, precisamos sim é de atitudes e compromisso.