No exercício da democracia a educação é instrumento
fundamental para a construção de uma nova cidadania e o momento que se apresenta é
mais do que oportuno para uma análise.
O Pacto do Ensino Médio e sua aplicação prática, o Ensino
Médio Politécnico são sem dúvida alguma uma oportunidade ímpar, uma conquista
para os educadores. Podemos repensar o nosso fazer pedagógico e construir um
novo currículo que seja verdadeiramente um reflexo da sociedade e dos anseios
dessa sociedade que se expressa em nossa comunidade escolar. O debate é
efervescente e necessário, precisamos rever nossas pautas, precisamos rever
nossos conteúdos, precisamos rever o objetivo do ensino dentro da sociedade
brasileira, precisamos aprender a avaliar, a nos avaliar, a ouvir e sentir a
demanda que vem do nosso educando, os jovens. Jovens que precisam ser vistos como jovens
que são, mais do que isso eles não podem mais ser vistos como objetos de um
projeto educacional, mas sim como agentes do processo, como protagonistas,
precisam ser ouvidos e avaliados dentro de seus contextos particulares, de seus
lugares de identidade, de suas linguagens e expressões...
No entanto, precisamos ser realistas, em que escola estamos
fazendo essa nova leitura? Escolas sucateadas, sem laboratórios, sem
funcionários, com professores doentes, mal remunerados. É isso, a realidade
contradiz a teoria, os números não nos representam, o professor que está em sala
de aula continua vendo um mundo utópico pautado pelo seu próprio idealismo,
pois a cada dia ele se depara com a mesma situação, com realidades que só uma
sala de professores pode expressar. Um campo pulsante de angustias e tensões
que ainda carece de um entendimento mais condizente com sua realidade.
Os dados ditos “oficiais” manipulam a opinião pública
distorcendo a realidade, que desde sempre desrespeita o professor como
profissional, pois todos opinam na educação, qualquer pessoa assume a gestão
da educação e pauta-se pelo poder simbólico de uma estrutura que não respeita o
fazer pedagógico ou a construção do conhecimento de nós educadores. A educação
continua sendo um campo de utopias teóricas e experiências partidárias.
Minha realidade cotidiana, apesar do idealismo, que ainda me
permite lutar e nadar contra a maré, não pode cerrar os olhos para o que vejo:
salas depredadas, goteiras, pátios sujos, falta de professores... bem a escola
continua doente, mas ela é só um reflexo da sociedade.
E VIVA O DIA DO PROFESSOR!

