"A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une" Milton Santos

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Por mais dias do professor...




No exercício da democracia a educação é instrumento fundamental para a construção de uma nova cidadania e o momento que se apresenta é mais do que oportuno para uma análise.
O Pacto do Ensino Médio e sua aplicação prática, o Ensino Médio Politécnico são sem dúvida alguma uma oportunidade ímpar, uma conquista para os educadores. Podemos repensar o nosso fazer pedagógico e construir um novo currículo que seja verdadeiramente um reflexo da sociedade e dos anseios dessa sociedade que se expressa em nossa comunidade escolar. O debate é efervescente e necessário, precisamos rever nossas pautas, precisamos rever nossos conteúdos, precisamos rever o objetivo do ensino dentro da sociedade brasileira, precisamos aprender a avaliar, a nos avaliar, a ouvir e sentir a demanda que vem do nosso educando, os jovens. Jovens que precisam ser vistos como jovens que são, mais do que isso eles não podem mais ser vistos como objetos de um projeto educacional, mas sim como agentes do processo, como protagonistas, precisam ser ouvidos e avaliados dentro de seus contextos particulares, de seus lugares de identidade, de suas linguagens e expressões...
No entanto, precisamos ser realistas, em que escola estamos fazendo essa nova leitura? Escolas sucateadas, sem laboratórios, sem funcionários, com professores doentes, mal remunerados. É isso, a realidade contradiz a teoria, os números não nos representam, o professor que está em sala de aula continua vendo um mundo utópico pautado pelo seu próprio idealismo, pois a cada dia ele se depara com a mesma situação, com realidades que só uma sala de professores pode expressar. Um campo pulsante de angustias e tensões que ainda carece de um entendimento mais condizente com sua realidade.
Os dados ditos “oficiais” manipulam a opinião pública distorcendo a realidade, que desde sempre desrespeita o professor como profissional, pois todos opinam na educação, qualquer pessoa assume a gestão da educação e pauta-se pelo poder simbólico de uma estrutura que não respeita o fazer pedagógico ou a construção do conhecimento de nós educadores. A educação continua sendo um campo de utopias teóricas e experiências partidárias.
Minha realidade cotidiana, apesar do idealismo, que ainda me permite lutar e nadar contra a maré, não pode cerrar os olhos para o que vejo: salas depredadas, goteiras, pátios sujos, falta de professores... bem a escola continua doente, mas ela é só um reflexo da sociedade.


E VIVA O DIA DO PROFESSOR!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A rua venceu... o quê?

Me peguei ontem revirando minhas bagunças( que não são poucas) quando me deparei com uma revista Caros Amigos do ano passado, que trazia na capa a manchete:"A rua venceu". Foi inevitável dar uma nova folhada na edição, e o questionamento imediado veio a tona... venceu o que?
A um ano e pouco a manchete era essa, e os debates efervesciam a cada esquina... e realmente havia uma movimentação diferente, era algo orgânico, novo, curioso, mas realmente algumas movimentações aconteciam: o congresso suspendeu o recesso, em algumas cidades a passagem e ônibus não subiu, invadiram câmaras de vereadores, políticos tiveram que se manifestar e ponto.
O que naquele momento parecia algo sem precedentes em nossa história, sem rótulos e até mesmo sem o controle partidário ou midiático, deu espaço ao ostracismo, e a repetição este ano das mesmas pautas de sempre. São inúmeros os candidatos que hoje se intitulam o pai da criança, ou pior nem lembram das pautas reivindicadas ano passado.
Não me surpreende quando vejo muitos dos candidatos a reeleição nem sequer citarem as pautas das manifestações  do ano passado e manterem seus discursos na esfera da superficialidade apelando como de sempre para campanhas com apelos ridículos e com um sorriso sínico no rosto (de novo).
Infelizmente continuamos nesse país a não ter cidadania e sim privilégios e ninguém se atreve a discutir a verdadeira democracia, e as fragilidades de nossa democracia, continuamos reprodutores da velha ordem republicana e burguesa, perpetrando o continuismo mantendo os velhos hábitos e as mesmas práticas de tempos remotos. Lembro o saudoso José Saramago que dizia que nossa democracia era como uma santinha em um altar, ela está lá, mas ninguém realmente se atreve a discuti-lá, mas ela "está lá!"