Não é de hoje que o racismo nas escolas
é um assunto que tem incomodado muito os gestores públicos, pois o mesmo existe
e parece não ter solução, então é mais fácil colocar a poeira para debaixo do
tapete e continuar empurrando com a barriga.
A Lei 10.639 de 2003 reacendeu o debate
e provocou certo mal estar na educação ao exigir que a cultura Afro seja
colocada nos livros escolares, e mais do que isso estudada e abordada em várias
disciplinas. No entanto, após 12 anos da promulgação da Lei a situação parece
não ter mudado muito. Mas qual a justificativa para tal comodismo dentro das
escolas? Medo? Dúvida? Ou puro preconceito mesmo?
As respostas parecem óbvias.
Há um comodismo sim. Professores
preferem reproduzir suas aulas ano após ano, pois isso é mais fácil e não exige
esforço nenhum. Métodos cartesianos se adaptam bem os objetivos impostos pela
sociedade que mensuram a qualidade do ensino apenas pelas notas e não pela
construção do conhecimento crítico.
Há um medo latente de lidar com algo
estranho, desconhecido, pois nossos professores não foram instruídos e
preparados para ensinar esses conteúdos. Sem falar no medo da polêmica. Falar
sobre África ou história dos afro-brasileiros é tocar em uma ferida aberta em
nossa sociedade.
Há uma dúvida sempre pairando no ar,
será que é necessário mesmo? A inoperância de nossos gestores não exige o
cumprimento da lei, o que coloca em dúvida o fazer pedagógico de muitos
professores que se sentem em uma encruzilhada.
E por último o próprio preconceito
velado que assola nossa sociedade a mais de um século. O preconceito no Brasil
provoca efeitos nefastos na população negra e é dentro da escola que este
preconceito cresce ao longo da caminhada escolar dos jovens. Negar este debate é
tirar a possibilidade da superação desse preconceito e dar a visibilidade
necessária a criança negra em sala de aula para que ela se sinta parte de uma
história que nunca lhe contemplou.
