Silenciamentos e reconhecimento
A inquietude reflexiva provocada por leituras sempre
desafiadores nos levam a madrugadas de reflexões que me perturbam e
desacomodam... Penso sobre silenciamentos e reconhecimento.
Um breve trânsito entre a Escola Crítica de Frankfurt, a psicanálise
e as provocações do jovem Hegel podem me ajudar a entender a luta, ainda hoje,
dos movimentos sociais, e entre eles, destaco o movimento negro. A luta do
movimento negro, em uma visão muito intersubjetiva, é uma luta interna por
reconhecimento e contra as invisibilidades impostas por anos de silenciamentos
de nossas narrativas históricas, mas penso que é muito mais do que isso. A
inquietação de negros e negras por reconhecimento começa na simples relação com
o outro, na necessidade de narrar-se e ser narrado em uma dinâmica de
autoconhecimento que projeta para a sociedade a sua necessidade de vir-a-ser.
O processo é delicado e caminha em uma linha tênue entre
sentimentos de confiança, expectativas, necessidades e o rompimento de amarras
sociais que nos impõe limites, desertos de imobilidade dentro de uma
configuração social quase teatral e que não nos possibilita sermos verdadeiramente
livres.
Para o reconhecimento temos que caminhar juntos, de mãos
dadas, em uma via de mão dupla e perder os medos internos que paradoxalmente
nos impõe abismos e desertos.
Por isso continuo intensamente revoltado e em constante me
ressignificação, mas preciso dialogar com minha específica, autonarradora... e
construir novos paradigmas epistêmicos que em formas de pontes atravessem abismos
e oceanos de silêncios desertificados.
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