CONTINUAMOS LUTANDO!!!!
Após intensos debates no
Congresso, no dia 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel assinava a Lei Aurea, e
colocava em liberdade milhares de homens e mulheres negras que a partir de
então poderiam gozar de uma liberdade jamais vista. No entanto, a liberdade, ainda
que tardia, não foi completa, a luta de negros e negras é uma constante até
hoje, pois o ato da Princesa Isabel, foi um ato isolado que não veio
acompanhado de nenhuma política pública de inclusão da população negra a
sociedade, e os efeitos disso foram nefastos sobre toda essa população, que
ainda hoje luta por espaço e reconhecimento. Mas continuamos lutando!
O 14 de maio apresentava a
população negra uma realidade não muito festiva. A comemoração do dia anterior
dava lugar à preocupação. O que comer? Onde dormir? Onde trabalhar? Sim, os
negros estavam livres, mais isto não significava uma mudança social imediata. Mais
de 300 anos de história de escravidão e exclusão social não se apagariam assim,
de um dia para o outro, com uma simples assinatura. Um novo capítulo da
história de negros e negras no Brasil estava para ser escrita e não com menos
dificuldades e sim com muita luta.
O silenciamento do estado em
relação à condição da população negra após a abolição fazia parte de um projeto
de estado. O “Mito de uma democracia
racial” e o branqueamento da raça faziam parte de um projeto ambicioso que
almeja a criação de uma República aos moldes das grandes nações europeias
capitalistas. Ou seja, para que o Brasil chegasse ao patamar das grandes nações
era necessário apagar o estigma de um passado escravocrata e inserir de vez o
Brasil na “Bélle Époque”, modelo europeu de desenvolvimento almejado por todos.
Os efeitos deste processo
são sentidos até hoje. O profundo abismo social provocado pela negligencia do
estado, desde a abolição, que
estigmatizou a população negra e os afrodescendentes as condições subalternas
da sociedade devido a falta de politicas públicas e a negação do problema do
racismo. Tal negligencia fez com que ainda hoje essa desigualdade se reflita em
profundos problemas sociais, que vão desde o campo educacional até a violência
institucionalizada do estado ao penalizar a juventude negra nas periferias.
Mas há uma mudança em curso.
Desde adoção das políticas de ações afirmativas no Brasil, vemos uma
movimentação que emerge das ruas, das vilas, das rodas de capoeira, das rodas
de samba, das batalhas de hip hop, dos coletivos jovens e chegam às
universidades. É uma juventude negra misturada com a força da ancestralidade
negra que faz surgir em meio a turbulência e a luta diária contra o racismo um
orgulho da origem africana. É um colorido aqui, uma trança nagô ali, um “black
power” acolá, e por onde se ande nesta cidade o empoderamento negro vem abrindo
espaço para um novo momento do movimento social negro que protagoniza a mudança
e traz para o presente, um olhar para o passado e a projeção de um futuro
melhor e mais justo a toda a população negra e afrodescendente. Continuamos
lutando!
(Texto original publicado no jornal A Cidade)

Nenhum comentário:
Postar um comentário